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O conceito de teletrabalho foi popularizado por um estudo de 1973/1974 por Jack Nilles, antigo cientista da NASA, pelo termo "telecommuting" definido pelo "mover parte ou a totalidade do trabalho para fora do escritório, para casa ou um centro de teletrabalho".
Actualmente o conceito de teletrabalho é utilizado para caracterizar todo o trabalho que é efectuado fora do escritório e que é apoiado por tecnologias de comunicação, nomeadamente ligação à Internet fixa ou móvel, sendo passível de ser aplicado a um trabalho que lide com informação.
PA: Passados mais de 25 anos desde a primeira vez em que introduziu o conceito "telecommuting", como vê a actual implementação mundial do teletrabalho ("telecommuting/telework")?
JN: A minha recente estimativa aponta para a existência de cerca de 50 milhões de teletrabalhadores no mundo no final do corrente ano. A maioria pertencem a países da OCDE, 12 milhões na União Europeia e 19 milhões nos EUA. O ritmo de crescimento anual é superior a 15%.
PA: No seu recente livro "Managing Telework" centra a atenção nos gestores e nas estratégias para implementar o teletrabalho. Contudo uma das dificuldades na implementação do teletrabalho é, precisamente, os métodos tradicionais de avaliação dos gestores. O que tem de mudar nas atitudes dos gestores para com o teletrabalho?
JN: A força essencial que leva à mudança das atitudes dos gestores é a sobrevivência.
As empresas que empregam teletrabalhadores têm melhores prestações do que as restantes do mesmo ramo. Nós (JALA Int.) mostramos frequentemente, em empresas reais, que os teletrabalhadores têm maior produtividade, são mais leais (i.e. menor rotatividade), e necessitam de menos espaço de escritório que os colegas não teletrabalhadores.
Nos EUA, onde há uma elevada falta de mão-de-obra qualificada, o teletrabalho tornou-se um meio importante de atracção de novos empregados e de retenção dos existentes. Implementação em larga escala do teletrabalho permite às empresas contratarem pessoas em países completamente diferentes. Muitas empresas americanas têm colaboradores na Europa e na Ásia a responderem perante gestores americanos.
Os CEOs percebem estas relações, mas é ainda difícil de convencer os gestores das PMEs. A minha abordagem tem sido sempre de demonstrar que o teletrabalho funciona ao ter um pequeno grupo de gestores a adoptar o teletrabalho, melhorando os seus números de produtividade, e consequentemente chamando a atenção dos seus colegas.
PA: Baseado na sua experiência, qual o papel que entende que o teletrabalho pode ter num pequeno país como Portugal?
JN: Portugal tem algumas pessoas muito inovadoras. A principal estratégia, como a vejo, é simplesmente ajudá-los a inovar. Isto significa reduzir alguns regulamentos restritivos, assegurar o bom desenvolvimento das infra-estruturas de telecomunicações, fornecer alguma formação e facilitar a evolução. Como mencionei, alguns países da UE, particularmente os Escandinavos, adoptaram o teletrabalho em larga escala nos últimos anos. Não vejo razões importantes pelas quais Portugal não possa fazer o mesmo.
PA: Na sua opinião, quais são os principais factores que levarão as PMEs a adoptar o teletrabalho.
JN: Uma razão será a vantagem competitiva que poderão obter. Com o teletrabalho as empresas não estão restritas aos consumidores locais; podem começar a pensar regionalmente ou mesmo globalmente. Podem criar escritórios em pequenas comunidades, onde é mais fácil aos casais encontrarem casas mais baratas, mantendo os contactos com os clientes numa grande cidade próxima. Podem também atrair colaboradores que simplesmente não pretendem deslocar-se para um local próximo dos escritórios das empresas.
PA: Com a massificação da Internet, ework baseado em projectos ganha uma importância crescente e é promovido por sites como Guru.com, Freeagent.com ou Smarterwork.com. Qual é a sua opinião sobre o papel que os teletrabalhadores independentes (freelancers) assumem ao procurar os projectos na
web, até onde isto poderá crescer? É esta a forma de trabalhar do futuro?
JN: Por diversas razões, o número de trabalhadores independentes está a crescer. Nos EUA as maiores dificuldades para se tornar um empresário independente são as dificuldades de marketing e os factores financeiros básicos como planos de saúde e planos de reforma. As questões do marketing estão a ser desempenhadas pelas
dot-coms como a Guru.com. elas vão melhorar com o tempo. O próximo grande passo é ter a necessária flexibilidade nos planos de saúde e reforma. Quando (e se) isto for possível as empresas terão que ter condições de trabalho muito atractivas de modo a
atraírem os recursos mais inovadores como empregados. Pelo contrário, existirão cada vez mais, do que eu chamo, organizações efémeras; organizações cuja estrutura estão em constante mutação para se adaptarem às diferenças do mercado e das condições dos recursos.
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