Introdução
No Teletrabalho tudo depende de si! Não há relógio de ponto. Não há um patrão ou superior hierárquico que lhe controle a actividade. Não há, sequer, procedimentos ou regras internas a observar. Este livro pretende servir como uma obra de referência. Mas está nas suas mãos fazer do seu negócio um êxito ou torná-lo num fracasso. Não obstante, pode consultar este livro para ter uma ideia das vantagens e dos problemas mais comuns que o trabalho em casa envolve.
Cabe-lhe a si aconselhar-se da melhor forma possível. Alguns dos assuntos abordados, tais como noções básicas de informática, equipamento, gestão financeira, etc., estão documentados em inúmeros livros e revistas. No caso de querer saber mais sobre esses temas, aconselhamos a leitura de bibliografia especializada. Poderá encontrá-la em qualquer boa livraria.
Outras áreas referenciadas, tais como aspectos legais ou contabilísticos, não dispensam a consulta, se necessário, de um advogado, técnico de contas ou outra pessoa com conhecimentos e experiência comprovados.
Nada se faz sem disciplina e organização. Como no Teletrabalho não há supervisores, a disciplina profissional / pessoal é um factor essencial para o sucesso do seu negócio.
O desenvolvimento do trabalho à distância - Teletrabalho - é de importância crucial na evolução económica da Europa: será de enorme importância para o desenvolvimento tecnológico nos próximos anos; proporcionará novas oportunidades de criação de pequenos negócios; contribuirá para reduzir o congestionamento dos grandes centros populacionais e dará uma oportunidade única às zonas periféricas e rurais, surgindo novas áreas de emprego onde antes não existiam; poderá contribuir para a criação de vantagens competitivas na indústria; contribuirá para facilitar algumas pressões ambientais e introduzirá mais flexibilidade no mercado de trabalho, indo de encontro aos objectivos de política social.
Os países comunitários preocupam-se cada vez mais com a autonomização das pessoas. Veja-se, a título de exemplo, os incentivos existentes em Portugal: ILE; SAJE; Fomento de Ninhos de Empresas; apoio do IEFP para instalação por conta própria de deficientes; etc. As empresas tendem a descentralizar-se e a tornar a sua estrutura mais leve e flexível, recorrendo cada vez mais a pessoas que trabalham em casa.
Em Portugal a bibliografia sobre esta temática é praticamente inexistente.
As vantagens do Teletrabalho são inúmeras:
- Para as entidades empregadoras:
- redução das despesas gerais, em particular as despesas de escritório;
- acesso a novas fontes de trabalho experiente e qualificado;
- força de trabalho mais flexível e estável.
- Para os trabalhadores:
- maior flexibilidade geográfica, poupando tempo e esforços;
- redução de custos e de tempo em transportes;
- possibilidade de se assumirem como patrões de si próprios;
- maior ligação à família;
- melhor qualidade de vida.
Para a sociedade:
- menor congestionamento nas grandes cidades;
- menos poluição ( fumos dos carros, etc. );
- uma distribuição mais equilibrada das receitas obtidas pelos impostos, para suportar os serviços públicos e as suas infra-estruturas.
Distinção entre Auto-Emprego e Teletrabalho
Gostaríamos de deixar presente que o Teletrabalho não se confunde necessariamente com o auto-emprego. É perfeitamente viável que um assalariado trabalhe para uma empresa a partir de sua casa. No entanto, nesta obra apenas iremos abordar o teletrabalho na perspectiva do auto-emprego, isto é, a forma das pessoas conseguirem fomentar e criar o seu próprio emprego.
Por outro lado o teletrabalho é apenas uma das vias para o auto-emprego, existindo outras formas que não serão referenciadas.
O Teletrabalho e a Informática
O Teletrabalho não implica necessariamente meios informáticos. Há inúmeros negócios que podem ser desenvolvidos a partir de casa sem haver sequer um computador. Não obstante, vamos restringir-nos aos negócios que envolvem meios computadorizados. A ressalva fica, desde já, feita.
Uma nova era nasceu
O trabalho em casa não é uma invenção dos nossos dias. Já na Idade Média os artesãos e homens de ofício se estabeleciam em casa. A economia era, essencialmente, "doméstica". Foi com a Revolução Industrial que os trabalhadores saíram de suas casas e quintas para irem trabalhar nas fábricas, em condições, geralmente, miseráveis.
Actualmente uma nova era surge, tal como Alvin Toffler antecipara em "A 3ª Vaga". Alguns factores explicam o aparecimento de oportunidades de auto-emprego e, principalmente, da implantação do Teletrabalho:
- Reestruturação da economia, sendo o sector terciário o mais forte, quer em termos demográficos, quer de produtividade.
- Desenvolvimento tecnológico, acompanhado por uma quebra de preços dos equipamentos, o que permite que o trabalho em casa seja tão produtivo e eficiente como num escritório de uma empresa.
- Espectro do desemprego e aumentos salariais nulos ou insuficientes.
- Problemas de deslocação, parqueamento e transportes.
- Aumento da insatisfação pessoal de muitos assalariados; stress e desmotivação.
- Há futuro para pequenos ou médios negócios conduzidos de casa. Vários nichos de mercado absorvem a oferta de serviços, tais como aqueles que neste livro estão na secção Ideias de Negócio.
- Criar uma empresa num escritório arrendado ou comprado envolve custos elevados, devido à subida em flecha do preço dos espaços comerciais.
- As pessoas são "empurradas" para viverem na periferia das cidades. Os preços das casas são elevados e a construção de fogos não se faz à velocidade desejada. Mas os escritórios estão centralizados na cidade, o que se traduz por deslocações cada vez mais distantes entre casa-escritório-casa.
- A maioria dos trabalhadores procura novas contrapartidas dos seus empregos. Querem maior satisfação pessoal. "O dinheiro não é tudo", é usual ouvir-se. Um crescente número de pessoas querem ser o seu próprio patrão. Querem gerir o seu tempo e guardar os lucros para si próprios.
- O que hoje se faz em um dia num computador pessoal, levava há uma década atrás mais de um mês.
- Se os transportes encurtaram distâncias, as auto-estradas intercontinentais transformam o Mundo numa imensa aldeia global. Estas novas auto-estradas são electrónicas, de transferência de informação. E sem problemas de engarrafamento...
- Na América do Norte o Teletrabalho está bastante difundido, com resultados animadores e a Europa segue os sus passos, embora com menor fulgor. Assiste-se, assim, a uma enorme tendência para a adopção do Teletrabalho, como uma das formas mais inovadoras de organização do trabalho.
O que pode esperar do Teletrabalho
- Casais que gostariam de estar mais tempo juntos, verificam que quando trabalham em casa se vêem mais vezes.
- Para os idosos ou para a crescente população cuja idade de reforma é antecipada, o trabalho em casa é uma forma de contribuírem para a sociedade, de se sentirem vivos, produtivos e aproveitarem toda a experiência que possuem.
- Para uma grande parte das pessoas deficientes é uma via para a auto-suficiência. É indiscutível que os avanços da tecnologia têm facilitado um desenvolvimento que se tem tornado espectacular nos últimos anos. Os problemas de comunicação para as pessoas deficientes poderão ser aliviados e mesmo resolvidos pelas novas tecnologias. As ajudas técnicas permitem superar limitações, por vezes crónicas, como no caso de Stephen Hawking (considerado por todos um génio).
- Apesar de as pessoas deficientes representarem uma força de trabalho de relevo para o desenvolvimento da economia de qualquer sociedade, existe uma patente subvalorização das suas capacidades profissionais, assente na forma como a sociedade em geral, e os parceiros sociais e comunidades locais em particular, encaram toda esta problemática, verificando-se o enraizamento de profundos preconceitos sociais.
- A revolução tecnológica veio assim criar novas oportunidades de inserção da pessoa deficiente na actividade laboral. Através da aposta na sua criatividade e capacidade produtiva, a pessoa deficiente pode, agora mais do que nunca, ambicionar a instalar-se por conta própria.
- Para aqueles que se sentem com espírito empresarial, é uma forma de mostrar o seu potencial.
- Para os pais, permite um maior envolvimento com os filhos.
- Para alguns, é a solução para fugirem da "floresta de cimento", indo viver para zonas rurais.
O antigo Presidente dos Estados Unidos da América, George Bush, chegou a afirmar: "milhões de pessoas já descobriram que a sua produtividade aumenta quando trabalham próximo daqueles para quem, na verdade, vão os seus esforços - a família". Pesquisas efectuadas nos E.U.A. demonstram que a produtividade aumenta entre 15% e 25% quando o trabalho é feito em casa. A explicação reside em factores psicológicos e no tempo que se poupa por não haver deslocações.
Já reparou no tempo que perde em deslocações para o escritório? Em geral, as pessoas que trabalham nas cidades, nos escritórios das empresas, perdem quase 1 hora em transportes.
Dando um exemplo concreto: por dia deslocam-se de fora de Lisboa para vir trabalhar na capital cerca de 1 milhão de pessoas. E ninguém fica admirado se dissermos que muitas dessas pessoas demoram 2 ou 3 horas por dia em deslocações ( ida e volta ).
A Sra. Dª Isabel Maria, que vive na Baixa da Banheira e trabalha perto de Benfica, em Lisboa, acorda todos os dias às 5h15 da manhã. Tem de "apanhar" o comboio, depois o barco que atravessa o Tejo e em seguida um autocarro para o Rossio, onde "apanha" o metropolitano. Depois de acabar o trabalho o "ritual" é idêntico.
Para quem estiver neste momento a pensar que a solução para a Sra. Dª Isabel Maria é comprar um automóvel, informamos que ela possui 2 carros, um deles último modelo de um conhecido fabricante. Opta por andar em transportes públicos, uma vez que prefere o stress do seu percurso diário, ao stress de estar num engarrafamento, tendo de pagar portagens, combustível e encontrar um dos raros lugares para estacionar o automóvel. E no fim o tempo gasto era sensivelmente igual.
Se acrescentarmos ao tempo que se perde em deslocações, o tempo que se demora de manhã a vestir-se e "arranjar-se" convenientemente para o trabalho, verificamos que tudo isto são horas que gasta e que ninguém lhe paga.
E o que fazem os teletrabalhadores com todo este tempo extra? Muitos aproveitam para trabalhar mais (horas de produtividade!), outros para fazerem exercícios físicos e outros para estarem mais tempo com a família. Alguns aproveitam para acordar mais tarde.
Mesmo aqueles que "dão o litro" num escritório duma empresa, afirmam que trabalhariam com ainda mais empenho e motivação se fossem patrões de si próprios.
O trabalho em casa proporciona um estilo de vida mais saudável, com menos stress. Logo, evitando as consequências de uma vida feita de "correrias": tensão arterial alta, dores de cabeça frequentes, alcoolismo, abuso de tabaco ou estupefacientes, doenças cardíacas, etc.
A flexibilidade que está associada ao Teletrabalho permite aproveitar os "tempos-mortos" da maneira que mais lhe convier: descansar, ler, estar com os filhos, tratar do jantar, adiantar tarefas profissionais ou domésticas.
O Teletrabalho não significa um corte com o mundo exterior. Pelo contrário, é a solução para estar mais tempo em contacto com as pessoas de que gosta e saborear a vida.
Desde os tempos de escola esteve obrigado a uma rotina diária, que o acompanhará durante a vida profissional. Quando começa a trabalhar em casa essas rotinas que lhe eram familiares desaparecem. E dúvidas surgem: "quando começarei a trabalhar?"; "e se um vizinho aparece e me interrompe, o que farei?"; "os filhos à minha volta não me incomodarão?", etc. Outros problemas surgirão concerteza.
Ninguém está imune a ter de enfrentar situações críticas. Para que o faça com eficácia é necessário estar preparado antecipadamente, a fim de gerir qualquer situação de risco que se apresente, designadamente através de um plano preventivo.
Em várias partes deste livro são invocados os problemas que ocorrem mais frequentemente. Conhecê-los de antemão e estar preparado para os enfrentar é meio caminho andado para os resolver. Mas atenção: não é de estranhar que algumas pessoas que começam a trabalhar em casa sintam saudades das velhas rotinas e resolvam voltar para um escritório. Mas o que nunca pode deixar acontecer é que a sua casa se transforme numa prisão. O Teletrabalho dar-lhe-à a liberdade e flexibilidade suficientes para aproveitar o seu tempo da melhor forma possível, nomeadamente ir almoçar fora ou passear.
Leia com atenção
Embora consideremos as nossas fontes como sendo fiáveis e tendo verificado tantos dados quanto possível, podem ocorrer erros; consequentemente, cada leitor que use esta informação fá-lo por sua própria “conta e risco”. Não podemos aceitar qualquer responsabilidade pelas actividades das empresas e/ou pessoas aqui mencionadas. Tenha atenção que os valores (custos, preços, etc.), devem ser apenas considerados como valores de referência.
Tendo perfeito conhecimento de que todas as oportunidades de negócio contêm determinados riscos que lhes são intrínsecos, sugerimos que o investidor potencial consulte um advogado e/ou um contabilista em relação aos critérios de investimento pessoais. Este livro é vendido com a ressalva de que o editor não é obrigado a prestar qualquer tipo de aconselhamento, nomeadamente jurídico. Se tal for exigido pelo negócio, os serviços de um advogado deverão ser procurados. O objectivo do livro é apenas de referência.
Potencial de lucro
O quadro seguinte demonstra o lucro esperado após 1 ano de actividade. Note-se que tudo dependerá de si, do negócio que escolher e do próprio mercado. O único objectivo deste quadro é dar uma ideia dos elevados rendimentos que se pode auferir numa situação de Teletrabalho.
Nome do Negócio
Teletrabalho
Lucro Antes de Impostos
5 750 000$00
Lucro Médio Antes de Impostos
3 200 000$00
Investimento Mínimo Para Início de Actividade
850 000$00
Investimento Médio Para Início de Actividade
1 700 000$00
Estabilidade
Elevada
Factor de Risco
Moderado
Perspectivas de Crescimento
Muito Boas
Potencial de Absentismo de Funcionário
Nenhum