APDT

Newsletter de Agosto de 2001 da Associação Para o Desenvolvimento do Teletrabalho

 ::. BIBLIOTECA DA APDT  ::. DICAS e REGRAS

Os associados  da APDT já podem requisitar obras para consulta pelo período de 3 dias. Para tal basta efectuarem uma requisição prévia por telefone ou email. Consulte a listagem de bilbiografica no site. 

O site da ADPT continua fornecer novas dicas e regras para bem teletrabalhar. Para além do livro "Escritório em Casa", já disponível até ao 5º capítulo, juntam-se diversos documentos como: glossário, modelo de contracto, links úteis, dicas jurídicas, etc.
 ::. AS QUEBRAS CONTINUAM 

Depois de uma fase de euforia provocada pelas dotcom, agora são tempos de "vacas magras". A provar este facto estão mais alguns despedimentos em massa. A Toshiba irá despedir 18.800 trabalhadores, a Fujitsu já anunciou valores idênticos, são 16 mil. No entanto, ao contrário da Toshiba, a Fujitsu prevê lucros bem chorudos para os próximos anos...

 ::. CONVOCATÓRIA para associados

Irá realizar-se uma Assembleia Geral Extraordinária da APDT no dia 6 de Setembro de 2001 pelas 18h30 na sede da APDT. 

 ::. Outras notícias
Tecnologia - 3G ou 4G?

Estes Japoneses são loucos! Ainda não está a operacional a 3G de telemóveis e já se planeia a 4ª geração para este país. É caso para dizer "serviço feito não mete pressas!".
Media -  Oni e Media Capital de fora

O concurso para licenças de TV digital terrestre sorriu ao consórcio que engloba SIC e RTP. Desta feita a estação do "Big brother" ficou fora de casa.
Barómetro -  Os números da Net

São já 460 milhões com acesso à Internet a partir de casa, representando um crescimentos de 7% relativamente ao 1º trimestre deste ano. Na liderança destes números está a Suécia e Austrália com 65% dos habitantes ligados.
 ::. TESTEMUNHO por Catarina

Olá a Todos !!!

Perdoem-me a informalidade, mas julgo ser esta forma mais simpática e agradável, de comunicar por meio deste mundo novo que é a Internet. Da qual me tornei uma verdadeira addicted, essencialmente por nos facilitar tanto a vida.

Venho desta forma ao vosso contacto, para vos dar o meu testemunho, do que para mim significa ter o meu próprio negócio, trabalhar a partir de casa, e acima de tudo sentir-me realizada a 100%, quer no aspecto pessoal assim como no profissional.

Recuando um pouco na máquina do tempo, decorria o ano de 1996, quando conclui o curso técnico-profissional de turismo, que tirei numa Escola Profissional em Lisboa, após a conclusão do estágio numa agência de viagens em Lisboa, tive a oportunidade de ir três meses e meio para Inglaterra, mais precisamente para a fantástica cidade de Bournemouth, uma pacata cidade na costa inglesa, que podemos definir como uma mistura de metrópole cosmopolita com cidade de veraneio, vivi aqueles que considero os 3 meses e 1/2, mais hilariantes e loucos de toda a minha vida, onde nunca houve dois dias iguais. No final dos 3 meses e 1/2, efectuei o exame do first certificate, o qual me orgulho de ter conseguido, e de hoje poder dizer aos 4 ventos que falo inglês como falo português. Finda a hilariante aventura por terras de sua majestade "Queen Elizabeth II", e após uns dias de readaptação à vida de cidadã portuguesa, neste jardim à beira-mar plantado, foi a árdua tarefa, de tentar arranjar trabalho. Não consigo contabilizar quantos anúncios respondi, ou entrevistas efectuei; perdi-lhes as contas. Bem como a quantidade de agências de emprego contactadas, onde mais uma vez as tentativas foram infortuitas.

No dia que efectuou o 1 º aniversário da minha chegada de Inglaterra, tive uma entrevista numa empresa em Lisboa, arranjada por uma das agências de emprego contactadas, a mesma ocorreu às 14:30 da tarde, tendo recebido um telefonema ás 22:30 do mesmo dia, a informar que tinha sido a seleccionada, e que tinha de estar no dia seguinte ás 10:00, na empresa. Fiquei surpresa, mas no dia seguinte lá estava há hora combinada, e aí começou o processo de conhecer o trabalho e os meandros da actividade que se desenvolvia na empresa. Após uma semana, fui chamada ao gabinete dos directores da empresa, para me informarem, que estavam espantados com a qualidade do meu trabalho, o meu profissionalismo e competência apesar não ter experiência profissional, aparte dos estágios curriculares do meu curso. Posto isto, convidaram-me a assinar um contrato a termo por 6 meses. Os tempos de graça, continuaram até finais de Janeiro, altura em que começaram a gerar mau ambiente, assim como a acontecer coisas que prefiro nem mencionar, tendo tais situações vindo a concluir no final de Fevereiro, quando fui convidada a assinar uma carta de demissão, porque segundo os mesmos " Eu não era competente, profissional e  que o trabalho que efectuava não tinha qualidade ". A carta de demissão foi por  mim assinada, sem que tenham-me deixado falar com alguém  para aconselhar-me.

É de ressalvar, que nos últimos dias que estive na empresa, foram efectuadas entrevistas de selecção com o intuito de me substituírem, tendo algumas vezes Eu ido fazer trabalho externo para que não estivesse nas instalações da empresa. Esta atitude foi aquilo que costumo de apelidar um " joguinho da empresa com a agência de emprego, porque foi a própria agência de emprego a fornecer por fax os curriculuns das candidatas ao lugar ", a responsável da agência quando confrontada com afirmação de que haviam sido enviados curriculums de candidatas para o meu lugar, negava tendo sempre respondido que não era verdade.

Como deverão calcular, o meu estado de espirito após toda esta situação, julgo poder afirmar que foi de uma revolta, raiva e fúria. Posto isto estávamos no inverno de 1998, ano da EXPO. Após uma tentativa de participar na Expo, como hospedeira, já que possuía um curso de turismo e ter a mais valia de falar inglês fluentemente, tal tentativa viu-se gorada, já que era preciso ter frequência universitária ou licenciatura, segundo me informaram e constava nos anúncios para candidatas a hospedeiras na Expo.

Nesse verão surgiu-me a ideia que gostaria de trabalhar sozinha, situação em que não teria patrão, colegas e acima de tudo seria senhora e dona do meu nariz. A actividade que gostaria de desenvolver era de artesã de um atelier de presentes. A ideia começou a fervilhar na minha cabeça, mas então comecei a ter que andar contra ventos e tormentas no seio da minha família, já que a mesma achava que não podia sobreviver a fazer presentes, e também porque não tinha noções do que era gerir um negócio e trabalhar sozinha. Nesse período de tentativa de explicar a minha família, que essa actividade era o que gostava de fazer e acima de tudo me iria permitir atingir a minha realização a nível pessoal e profissional. Até  que no ano de 2000, numa visita ao Centro de Emprego, para a resolução de uma situação; e que no  seguimento da conversa com a funcionária, onde mencionei que gostaria de trabalhar sozinha, em concreto montar um atelier de presentes, com uma filosofia diferente, onde cada presente fosse pessoal e único por parte de quem oferece. Fui então convidada/incentivada a dar entrada com um ante-projecto para a concessão de um apoio/acompanhamento técnico e financeiro para o bom desenvolvimento do mesmo. Dei entrada do ante-projecto no dia 18 de Abril de 2000, o processo demorou 1 ano certo até começar o processo de montagem do atelier. Recebi o subsidio financeiro no dia 18 de Abril de 2001, dia que irá ficar-me na memória, como sendo o dia em que comecei a dar forma ao Meu atelier de presentes - A Oficina dos Presentes, do qual muito me orgulho.

Neste momento, sinto-me totalmente realizada, porque desenvolvo uma actividade, onde todos os dias quer nos contacto com os clientes particulares ou lojistas, recebo elogios pela a qualidade dos presentes que efectuo, a sua originalidade. Não descurando os materiais escolhidos para efectuar as peças do atelier, que como alguns clientes dizem abarcam uma infindável panóplia e cores.

Posto isto, julgo que não há qualquer dúvida, em afirmar que me sinto orgulhosa em ser uma teletrabalhadora, que mesmo ás 11:34 da noite se encontra a escrever um testemunho para APDT, que tive o prazer de tomar conhecimento por meio de uma reportagem na TVI, no passado mês de Junho ou Julho. E que sem qualquer hesitação decidi me tornar associada, já que via nisso uma mais valia. Que se veio a confirmar, quer pelos os CD-roms, " O Escritório em Casa ", " Guia de Boas Práticas ", que no passado sábado à tarde me entreti descontraidamente a "ler".

Muito obrigado pelas as dicas e conselhos constantes nos dois CD-Roms, e quanto ao newsletter n.º 6, que recepcionei hoje na minha caixa de correio, fazendo jús ao repto efectuado no capitulo sugestão, aqui esta o meu testemunho. Que espero não tenha sido muito seca, e que seja útil para alguém não passar por algumas situações menos boas porque Eu passei.

Catarina Poiares

email: catarinapoiares@ip.pt 
Telef : 217977444

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